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Sobre o amor às palavras...



Elas nascem de nossos desesperos, de nossos medos e devaneios. De nossos amores, de nossas paixões e perdas. Porque toda saudade vira poesia.
Nascem feito sementes, pequenas, solitárias e crescem à medida que as regamos com nossas incertezas.
Por que as incertezas precisam regá-las? Seriam as raízes se formando? Formando artérias no âmago de nossas almas. Conduzindo a seiva do conhecimento para florir o mundo.
Por mais que as palavras não traduzam tudo o que sentimos, elas florescem, abrindo portas à compreensão. Traduzindo o mundo para acalmar nossos anseios e devaneios.
Afinal, onde nascem as palavras?
Nascem no jardim de nossa alma, de nossa emoção, de nossa intelectualidade. Brotam de nossos sonhos e de nossos insucessos.
Simplesmente nascem e seguem seu curso, como folhas ao vento, como mensageiras de esperança, como gotas que saciam nossa sede de viver.

Palavras curam e alimentam. Após o insucesso, é preciso levantar e são elas que fazem perseverar. Algumas doses diárias são o suficiente...

(Joyce Costa e Cláudio Pires Cardoso)


Onde dormem as borboletas? Dormem nas prateleiras de nossos sonhos? Ou será que pousam nos galhos de nossa imaginação?
E quando acordam, despertam de nossos sonhos ou despertam os sonhos? Voam livremente em nossa imaginação ou apenas se aprisionam?
Borboletas são borboletas. Filhas da crisálida. Precisam enclausurar sua existência para gerar-se de novo.
Por onde passam espalham o encanto, semeiam esperança e ressuscitam sonhos
Abrem sorrisos, 
Transmitem beleza
E suavidade.
Pra lembrar que a vida,
Embora efêmera,
Tem lá seus encantos.
Onde dormem as borboletas? Em um passado distante? Às margens do nosso íntimo?
Elas dormem nas lembranças?
Na memória?
Na infância?
Eu só sei que elas dormem.
Dormem quando paramos de sonhar, quando nossas memórias são esquecidas, quando nossa infância é aprisionada.
De tão silenciosas e belas faz-nos esquecer, no sonho tranquilo, de todo gris. 
E dormem, não se sabe onde nem quando, para voltarem enérgicas à imensidão de suas asas.

(Por Joyce Costa e Cláudio Pires Cardoso)


Leia ouvindo Happy together (Simple Plan)

A felicidade é permanente? é momentânea? Está ao lado? Ou em outro país? Ela chega devagar? Ou tão depressa que a gente nem percebe? Felicidade tem nome? É um lugar? Ou de comer? Onde ela mora? Para muitos, nos pequenos detalhes. Chega, conversa, se mostra e vai embora, dando espaço à tristeza e à nostalgia nos ensinando como valorizá-la. Felicidade pra mim tem nome: o nome de alguém que põe um sorriso no seu rosto, o nome de um lugar que marcou uma viagem inesquecível. Felicidade é de comer e tem gosto de chocolate, daqueles partilhados com os amigos ao fim da tarde; de sorvete na pracinha com o namorado, de comida preferida quando a fome aperta. Mas ela não tem moradia certa. Chega como se fosse hóspede, pedindo um cantinho pra ficar na sua vida corrida, farta da rotina. A felicidade ama os detalhes cotidianos, por isso não reside nas pessoas que não param para observá-los.

Joyce Costa

Assumo, eu estou na crise dos 20. Esses dias, ainda com 19, pré-vinte-anos, andei fazendo um drama danado pensando na vida. "Meu Deus, como se passaram rápido essas duas décadas! Onde eu estava e o que eu estava fazendo este tempo todo? Eu já estou a 1/2 da minha vida se eu viver até os 40 e a 2/8 caso eu viva até os 80. Que os 80 me aguardem!" Espero ter feito a fração correta, não sou lá grande coisa com números - nunca fui -, mas aos 20 já é de se esperar alguma coerência, até nisso a vida cobra.

Bom, já que é para enfrentar os vinte, que se encare direito. Mas o que é que eu ganhei até aqui? Esses dias eu aprendi sobre a "fortuna" e a "virtu" em Maquiavel, sendo respectivamente: o que eu tenho e como mantenho o que tenho. Aos vinte eu não tenho uma carteira de habilitação, muito menos um carro ou uma profissão segura, não tenho mais tantos amigos como eu tinha no ensino fundamental ou médio, porque nessa idade tendemos a ser mais seletivos com tudo, inclusive com as amizades. Não tenho um namorado, muito menos sou noiva ou pretendo, mas não abro mão de assumir um histórico de romances mal sucedidos, normal aos 20. Mas ainda assim eu moro com meus pais - como diria Renato Russo em sua canção -, tenho contas a pagar, uma vida frenética constituída pela graduação que resolvi cursar, pelos cursos nos quais me inscrevi, pela academia que ainda não frequento e que todas as noites me vem a cabeça, "martelando" que eu deveria já estar inscrita, assim como a dieta que nem comecei direito (alô, promessas de ano novo!). Voltando para a aula que tive sobre Maquiavel, a gente pode passar seus conceitos pra vida e então pensar "como é que eu posso ter virtu? traduzindo, como é que eu posso manter tudo o que já tenho?" - a gente precisa ser grata também.

Vinte. Aquela idade chatinha na qual seus pais ainda chamam você de criança (e te acham realmente uma) e os tios perguntam dos namoradinhos, mas você nem dá tanta importância pra isso, afinal tem o mundo em cima da sua cabeça e você tenta de todas as formas abraçá-lo, mas sabe que é uma tentativa em vão. Aquela idade de utilizar as economias para sair aos fins de semana e ter que escolher entre ir para o cinema ou para a balada, porque ir aos dois não dá, "a culpa é da crise, minha gente...".

A idade de rever as promessas dos 15 e de perceber o quanto a gente era romântica naquela época e que hoje não passa de ficção esse tal de romantismo. Porque de tanto cair na real a gente deixa os contos de fadas pra trás, mas segue. Nem que seja por um empurrãozinho da vida. Porque alguns sonhos ainda continuam engavetados, até a hora certa de se revelarem.

Ano passado, ao completar os 19 a palavra era "ousadia". E hoje pretendo usar "negociação". Sim, negociação. Parece uma palavra bastante usada em política e em economia também. Mas vou usar pra vida. Se na corte era uma estratégia usada pela monarquia e pelas elites para fortalecer as relações  da primeira e permitir à segunda um pouco de autogoverno, eu vou usar a estratégia com o tempo
Que ele me envelheça, mas que me faça aprender, porque não há ganho maior. Alguns negócios têm a chance de dar certo até mesmo na crise. 

(Joyce Costa. Pelos meus 20 aninhos.)



Leia ouvindo "Patron" - Tiago Iorc
Eu olho para aquela fotografia agora e vejo que tudo mudou. Aquela menininha de cabelos longos e castanhos, sobrancelhas mais ou menos feitas, meiga, com as mãos sob o queixo, de vestido nude e pulseiras de pérolas não é mais a mesma. Essa que acabo de citar representa uma garotinha que esperava muito por um futuro, mas que era feliz no presente e não sabia. 
Ela foi mudando aos poucos, porque depois de algumas quedas, ela simplesmente cansou de ficar no chão e quis mais do que levantar. Ela quis ser mais ela, exprimir personalidade... tudo que ela buscava nos outros ela quis ser. Seus fios castanhos passaram a ruivos, a tatuagem de coração que havia feito com a irmã continuava tendo o mesmo significado - aliás, uma das poucas coisas que não havia mudado era o significado daquela imagem, o amor incondicional pela sua melhor amiga, companheira desde sempre. Mas ela via a emergência de voar.
Ok, todos nós chegamos em um ponto de frustração, porque descobrimos que voar é algo que não conseguimos, o ser humano chegou no ápice da tecnologia, até criou o avião, mas chegar a voar sozinho, ah... impossível. Mas ela queria voar sem asas, ou sem tecnologia, que seja. Ela queria alçar em direção aos sonhos. Como pássaros recém nascidos, que deixam seus medos para trás e seguem em direção ao céu azul, porque sabem que lá a mansidão é maior. 
Aquela coisa toda de tatuagem parecia um tanto sem sentido para pessoas que a vissem desfilar com os pássaros em tinta nas costas. Mas ela sabia o que carregava consigo: Naquela simples imagem ela enxergava seus pés saindo do chão, ela se via uma mulher independente, independente dos medos, da insegurança. Voando em direção ao futuro, aquele... isso... aquele futuro que a garotinha de cabelos castanhos esperava aos 12.
Não importava o que as pessoas falassem: lá vai a ruivinha - de farmácia, que seja. Aquilo era a personalidade. Não pronta e intacta, mas em processo de construção. E ela se descobria cada dia mais, e se construía. Com os livros que lia, com a graduação que escolhera, com os filmes que via e músicas que ouvia. Olhar para trás ainda fazia sentido, mas apenas para perguntar se aquela garota da foto estava satisfeita com o futuro que tanto esperou. Ao que ela respondia: ainda falta algo. E ela sabia o que era: não foi isso que sonhei o tempo todo? Não era isso que você queria cursar. Você não queria continuar na sua cidadezinha, com as mesmas pessoas. 
Enquanto a garota da foto a repreendia, ela sentia que a vida havia mostrado outros caminhos, mas que talvez um dia fosse possível, não voltar atrás, mas dar a volta e retornar aos sonhos que eram mais fortes que qualquer conspiração do universo. "Lá vai a ruivinha...". E esse cabelo? Deu a louca? Não. Ninguém sabe pelo que ela passou pra ficar assim. Mas mudanças fazem bem, olha lá... até ficou mais bonita! -O espelho dizia, e a moça concordava.
A graça da coisa toda foi essa. Crescer. Não importava por qual caminho ela estava indo, ela crescia e se descobria cada vez mais efêmera. "Então menina, eu sei que o tempo voa. Mas não deixe essa viagem toda passar em vão. Aproveite as portas abertas, quem sabe numa delas, não está escondido o seu sonho?" A vida gritava.

Joyce Costa, escrevendo sobre ela mesma.


Como Marthinha Medeiros cita em uma de suas crônicas: "A pior coisa do mundo é a pessoa não ter coragem na vida". Hoje, no dia em que completo mais um ano de vida, me veio essa frase. E aí eu pensei em todas as coisas que venho aprendendo nestes 19 anos. E foi preciso muita coragem, mesmo eu sendo a pessoa mais medrosa do universo, pra sobreviver, sem enlouquecer, nesses anos todos de aprendizados. E continuo citando Marthinha: "Ela segue em frente porque tem o combustível que necessitamos para trilhar o longo caminho desde o nascimento até a morte. Coragem." Não, eu nunca pensei que tivesse coragem. Mas quando li essa crônica, parei pra refletir o que seria coragem. Coragem é viver fazendo tudo aquilo que te desafia. E nesses anos muita coisa vem me desafiado no dia-a-dia: A faculdade, as noites curtas e dias longos, os fins de semana que se tornaram dias de estudo, meus três cursos juntos - que to acabando o último deles -, as distâncias, as esperas, as viagens sozinha, o meu quarto emprego. E eu tive que ter coragem pra não desistir. "Aos poucos fui descobrindo que mais importante do que ter coragem para aventuras de fim de semana, era ter coragem para aventuras mais definitivas, como a de mudar o rumo da minha vida se fosse preciso (...). Mas o que parecia medo era a coragem me dando as boas-vindas, me acompanhando naquele recuo solitário, quando aprendi que toda escolha requer ousadia." O que eu mais desejo nestes meus 19. Ousadia virou sinônimo de coragem. Para que eu nunca perca essa mania de correr atrás dos meus sonhos.

Joyce Costa (todos os direitos reservados)

Leia ouvindo Royals 


Oi,
eu tô aqui tímida. Pra falar que achei uma foto sua aqui, ela estava escondida em um pequeno baú sob o recamier do quarto. Aquele em que você foi várias vezes pra dizer que sentia minha falta. Achei aquela foto tão intacta que parecia ter sido revelada ontem. E você sabe como sou apaixonada por fotografias... Elas eternizam momentos, são dotadas de lembranças, e no caso, lembranças suas.
Também achei umas cartinhas, meio amareladas porque tem tempo que estão guardadas, aquelas do início de tudo... E você não vai acreditar! Encontrei também um filme, lembra do nosso primeiro filme juntos? Estávamos no sofá da sua casa, com um balde de pipocas e um cobertor que cobria a gente naquele mês frio de junho. Nós ríamos daquela comédia romântica como nada fizesse sentido, porque perdíamos mais partes da história do que outras coisas...
Achei também o ingresso de cinema, o anel de compromisso, uma embalagem de bombom, um diário, um lenço seu, um papel de carta, uma caneta com nossas iniciais e mais um monte de vestígio seu. De vestígio nosso. E ao contrário do que você deve estar pensando ao ler isso aqui, escrevo esta carta pra dizer a você para não voltar. Porque nada vai ser igual. Tudo isso virou só lembrança. O passado existiu, mas não existe mais, não se pode voltar nele e querer fazer tudo diferente, e querer voltar pra lá é loucura. Esse monte de vestígio pode ser até interessante, virei antiquária sua. Mas só porque eu me fascino pelo passado, porque fatos me intrigam. Não porque você ainda me cause algum sentimento. Quando ler esta carta, provavelmente estarei deixando o baú de lado, os vestígios guardados e qualquer experiência no passado. Optei por esquecer tudo e não sei o que estou sentindo. 
A história tem mais uma página esperando pra ser escrita, mas esperando novas cores, novos personagens, novos tempos verbais, novas escritas de si.
-Antiquária o quê! Virei escritora. Peguei caneta e papel e comecei um novo livro, naquele velho sofá. Ouvindo a música nova de uma banda qualquer... Era aquilo que me dava inspiração. E que me motivou a começar de novo.


Crônica, por Joyce Costa.
À minha querida amiga Jullieny, a primeira a ler esta 'carta'.



Leia ouvindo Boat Song - WoodKid

Às vezes me pego colecionando cada palavra sua, cada gesto doce, cada olhar sincero.
Às vezes eu sei que falo "às vezes" demais, mas é porque o fato não ocorre sempre, só de vez em quando, pra não virar obsessão.
Eu sei também que às vezes falo que sei demais, quando não sei de nada. Que escrevo "demais" toda hora porque não há outro advérbio de intensidade que exprima o que eu tô sentindo.
Olha, sem você saber tô aqui colecionando suas fotografias, suas músicas favoritas, o perfume que você espalha sem dó, seus cardápios prediletos, seus filmes preferidos e todo um 'aparato documental' que ninguém leva a sério. Mas pra mim é seríssimo!
Eu perco horas viajando ao amanhecer o dia. Coloco meus pés sob o recamier do quarto, numa segunda chuvosa e me perco em meus pensamentos quando eu deveria estar lendo um livro do cursinho. Quase deixo o livro de lado pra buscar um diário seu. Se você tivesse. Qualquer vestígio ultimamente tem me sido satisfatório, mas não o suficiente. Eu desejo descobrir os mistérios que existem por trás de tudo isso que parece irreal.
Não, eu não sou uma detetive. Mas quando quero saber de uma coisa, descubro mil. Observo as peças fragmentadas, as reúno e as encho de sentido.
Não quero ser apenas uma antiquária sua, que guarda objetos em vão, só de enfeite. Assim seria inútil a mim! "Ah coitada, tão obcecada..." qualquer um diria. Para uma pessoa tão culta é preciso ver o que tem por detrás de seus óculos, de seus olhos, a alma.
Só pra você saber, o personagem da minha história é você. E mesmo que não seja tão simples desvendar seus fatos [da história], ela vai ser imaginada, escrita e reescrita quantas vezes for possível, até você perceber que não fui apenas antiquária sua, mas te fiz de personagem principal.

Crônica, por Joyce Costa

Leia ouvindo Happy Ending - Mika

Estranho é você achar que já conhece uma pessoa só por saber algumas preferências dela.  Sem conversar por dias, semanas, horas a fio a fim de descobrir. Só de olhar e imaginar o que tem por trás de seus doces olhos. Será o encontro das almas que já se conhecem?
Tenho medo disso. E se eu estiver vendo coisa onde não tem? Provavelmente vou quebrar a cara, o coração, o copo de café que fica no canto da mesa do escritório. Mas... E se eu souber te ler? A gente vira história? Aliás, esse é nosso assunto favorito. Ah, ia ser bom. O coração ia continuar inteiro, eu não ia mais precisar do copo de café pra ficar acordada no escritório, porque eu não ia mais ter insônia à noite como venho tendo. Eu ia descortinar o que imagino sobre esses seus olhos e se é verdade que a gente já se conhece de outros tempos. De infância, de sonhos, de outro mundo. Porque isso não é normal.
“Eu sei que você sabe quase sem querer, que vejo o mesmo que você”, porque essa é a nossa música e eu quero o mesmo que você. - Ah, será?! Possível mesmo é ser uma paixonite que faz o mundo virar de cabeça pra baixo e depois a gente ter que dar um jeito de voltar à normalidade, à sobriedade, tranquilidade, sem que ninguém perceba que passamos por um furacão, tempestades de ilusões.
Mas olha, você é meu sonho bom. E vai ser por um tempo, mesmo que não vire realidade. Mesmo que nossos caminhos não se cruzem mais. Vai ficar esse ar de mar calmo, nuvem castelo, céu azul. Vai existir lembrança.
 “Eu sou do seu jeito, a cor do seu rosto eu já sei de cor”, assim como a Clarice quando escreveu essa música para o Gregório. E será que sou tão pretensiosa? Ou estou certa que a sua pretensão é a minha?

Crônica, por Joyce Costa.

E eu dizia esses dias, para mim mesma: O pior é que só consigo escrever textos legais quando eu estou triste.
E volta e meia: O melhor, é que foi esse bem que você me fez. Foi embora, mas deixou saudades, acompanhada de melancolia e palavras. Palavras que vão se transformando aos poucos e dando significado aos meus sentimentos, criando forma de pássaros: como quem quer ser livre aprisionado pelo infinito céu. Acredite: uma das poucas coisas que você fez por mim. E foi bom.
Essas palavras juntas aqui não surgem do nada ou de uma mágica como um coelho que surge da cartola. Eu preciso estar no fundo do poço pra poder enxerga-las, preciso mesmo! E depois, elas ganham vida, ao ponto de voar.
Dizem por aí, que pra esquecer um amor é apenas transformando-o em literatura. E isso que faço agora com você. É a única forma de tê-lo perto, mesmo que distante. Essas letras costuradas é a única maneira de materializá-lo. Mesmo que sentimento seja abstrato.
Não estou dizendo que foi bom assim você ter me deixado. Eu trocaria as palavras escritas bonitinhas em ordem por mais tempo ao seu lado, talvez pela vida ao seu lado, mas já que você decidiu assim, pelo menos deixou esse bem. É um bem muito precioso, ninguém pode tirá-lo de mim. Como ninguém foi capaz de deixa-lo aqui a não ser você.
Que mal tem? Ficar alguns dias tristes pra escrever bem? Que mal tem se meu psicológico não anda bem, anda estranho. De tal forma que começo a escrever ao contrário? Vai ver o avesso é o lado certo. Ou a gente não tem jeito, nem lado. Só dá errado.
E agora? Isso aqui acabou ficando sem sentido pra um final de prosa, de texto.  Aliás, por que tudo precisa fazer sentido? Não precisamos ser tão pretensiosos.
O que eu quero dizer é o bem que você me fez, em ir embora, me deixar pra trás, me deixar menor, me deixar o pó – como diz Clarice Falcão em uma de suas canções - mas me deixar lúcida, ao ponto de escrever bem; em me deixar esse bem. Que mal tem?
Em resumo, mesmo assim, eu sumo.

Joyce Costa

Eu to cansada, confesso! Eu poderia ter ido dormir à tarde naquela sexta-feira que tinha cara de segunda. Era melhor eu ter dormido do que me preparar toda linda pra ouvir suas palavras que está de saco cheio de mim e que vai embora.
Eu poderia ter dormido e teria sido bem mais agradável. Nos meus sonhos alguém precisa de mim. Eu queria que você precisasse. Precisar de alguém é tão lindo... É como sair da ignorância de que pode fazer tudo sozinho. O pior é que quem ficou nessa ignorância agora fui eu. Ignorância, arrogância, frieza ou amor próprio, chame do que quiser.
Ainda bem que agora eu to mais crescida, mais adulta – mesmo com essa aparência de adolescente, esbelta, sedentária e preguiçosa que não tem coragem de levantar pra dar uma caminhada. – Porque eu fui podada por você. Que, sem dó, arrancou minhas folhas. Mas, assim como acontece com as flores, quando se é podada, sempre cresce mais forte. E eu cresci. E ainda vou crescer, pra poder te olhar nos olhos, encarar e dizer um “oi” sem lembrar de uma lágrima. E ainda sair por cima. Isso não é inconveniente da minha parte. É como tomar um café com gosto amargo, engolir e ficar tudo bem.
Depois da sexta-feira veio aquele sábado pra me fazer lembrar do último final de semana em sua “ilustre presença”. Que na verdade, nunca foi lá tão ilustre assim, eu só achava porque tinha luz demais e daí fiquei cega.
Você vai me entender... O precipício alto demais. E desculpa. Eu tenho medo de altura. Eu poderia ter ido dormir, naquela sexta com cara de segunda... E sem despertador que me acordasse.

(Joyce Costa)

Sabe aquela receita que a gente sempre encontra em um livro no fundo da gaveta do armário da avó? Pode ser uma das mais deliciosas que já se experimentou. Tem sempre no final do Modo de Preparo aquele “sal a gosto”, “açúcar a gosto” ou “tempero a gosto”, que eu sei... sempre deixa a gente p da vida na primeira vez em que vai se fazer a bendita receita. “Como vai ficar bom se não há escrito a quantidade certinha no livro?!” É o que sempre penso, querendo que tudo tenha um manual, que tudo saia conforme o planejado.
Mas e a vida?! Ela não é nos dada com “ingredientes”, “modo de preparo” e muito menos com um livro de receitas que dão certo. A gente vai buscando acertar nesse tal “a gosto”. A receita é praticamente inteira assim... um pouco de “amizade a gosto”, “simpatia a gosto”, “escolhas a gosto”, “amor a gosto”.
Já errei feio no açúcar do bolo, mas não foi tão ruim como ser doce demais na vida. As pessoas acabam confundindo doçura com outros ingredientes ao ponto de quererem pisar em você.
Sim, errei na mão, no ponto da amizade. De confidenciar segredos a alguém que não estava preparado para receber aquilo e guardar.  
Coloquei amor demais (ou de menos) onde não deveria. Porque só eu coloquei, ou deixei de pôr. Então a receita não deu certa quando a fiz sozinha.
Fiz escolhas de muitos ingredientes errados também. Mas sempre que um bolo sola, que um prato queima, a gente ri no final. E tenta de novo pra ver se dá certo. Com outras porções de açúcar. E troca alguns ingredientes. Até chegar ao ponto.
E na vida também: se não der certo, tire aprendizados dessa receita e tente de novo. Um dia você vai rir do “bolo” que deu errado. Não tente do mesmo jeito. Troque a ordem, mude os ingredientes, as doses, o modo de preparo. Até que fique “a gosto”.

(Joyce Costa)

Bem vindo, agosto!




Acredito, que quando se ama, é capaz de declarar, gritar isso ao mundo. Se não o faz, não pode ser amor. Por mais que demonstre.
            Se você não veio aqui pra me fazer feliz é melhor ir embora. Mas dê adeus logo, não fique na dúvida não. Dúvidas corrompem, interrogam, instigam. E eu não quero ser mais um ponto de interrogação na sua vida.
            Dessa vez vai ser diferente. Eu sempre acho que vai ser diferente e nunca é! A gente não é igual, nem o oposto, a gente tem química, física, mas somos cheios de erros gramaticais em qualquer geografia do mundo tentando fazer história, história inventada. Eu não posso julgar de quem é o erro. Talvez seja meu e eu tente mudar, mas sou muito pequena ainda pra mudar algumas coisas. E seus erros? Você para pra pensar? Como é que consegue me fazer rir e chorar? Primeiro traz flores e logo as arranca de mim. Mas talvez pra você, isso não seja um erro, seja um dom.
            Quem sabe não são nem erros de ninguém nessa história e sejam apenas choques? Porque nós somos elétricos e nossas cargas não batem.
            Só sei que eu to cansada, to esgotada, quebrada, arranhada, amassada, pequena. Isso porque eu achei de novo que ia ser diferente e até agora é tudo igual. E cansei de monotonia da nossa parte. Se não veio me fazer sorrir, arranque logo de mim as flores, dessa vez, sem dúvidas. 

(Joyce)

Queridos leitores, pensei em criar uma coluna aqui no blog com os textos de vocês! Quer seu texto  por aqui? basta enviar um e-mail para: joyce_costa@live.com. Os melhores irão ao ar toda quarta-feira! Agradeço imensamente! 

Se eu me arrependi é porque fiz a escolha errada? É o que vivo me perguntando. Mas... E se não existir essa coisa toda de escolha certa ou errada? Porque, por um ponto de vista, sempre que fazemos escolhas perdemos algo.
E esse “e se...” que nunca some das minhas interrogativas. Que vem cheio de reticências. Porque entre elas, há a possibilidade de acontecer tantas coisas. De esbarrar em tanta gente, fazer tantas escolhas, viver.
E o advérbio “às vezes”. Esse é outro que não some. De tudo que escrevo sobre você, sobre nós. Esse “às vezes” tão simples, mas tão cheio de incertezas, de dúvidas e que depende de tantas circunstâncias. Ah, se alguém me entendesse.
Se eu me arrependi de uma escolha... Será que havia outra? Foi imprevisível. E ainda é. Dizem que o tempo diz tudo, que ele mostra qual era o caminho correto (se há caminho correto...), que ele desvenda as respostas da vida. Mas por enquanto o tempo só é carregado de esperas, que demoram a eternidade e parecem nunca passar.

Fico me perguntando da onde vem essa vontade de voltar no tempo. Talvez eu até saiba, mas não admita para mim mesma. Mas “e se” voltasse? “ás vezes”, eu faria a mesma escolha. E erraria mil vezes. Ou acertaria – só o tempo vai dizer.

(Joyce)



Depois daquela noite, em que colocamos “os pingos nos is”, que eu fui para um lado e você para o outro, ambos melancólicos. Foi como uma promessa que fiz a mim mesma não querer mais ninguém, não me entregar a ninguém, fechar meu coração de vez e jogar a chave fora. Já que, pobre coração: cansado de toda vez se abrir, pra alguém ir lá e quebrar a maçaneta.
Mas não é fácil você querer seguir sozinha sem se tornar um pouco mais fria, endurecida, e até desacreditada. O frio a qual me refiro é mais intenso dentro de mim do que lá fora. Aquele frio com direito a neve e ventania.
Às vezes, a gente dá de cara no muro. Em um muro alto e quebra a cara! Bem que já ouvi falar: “construa pontes ao invés de muros”...
Por poucas vezes como hoje, me senti distante, isolada, sozinha. Parecia que eu era de outro mundo. 
Por fim, acabei acreditando nessa história de ponte... E pensando bem, eu já “construí” tantas pontes e elas quebraram, que o jeito foi partir para o muro. Mas não dá certo. Porque muro, não substitui ponte. Como amores não substituem amizades e amizades não substituem amores. Como os pais da gente não podem nunca serem substituídos. Como jamais, ninguém vai substituir ninguém.
O pior disso tudo, é que nessa de “ninguém substituir ninguém”, uns vêm, outros vão. E o espaço dos que vão embora, fica vazio, sem ter como preencher. Por outro lado, cada um que veio, e foi também, deixou um pouco de si, seja um pouco de coisa boa ou ruim.
Resolvi não jogar fora a chave do meu coração. E voltar a construir pontes. Mesmo assim, vazio me incomoda. E enquanto “uns vêm, outros vão”, fica tanta nostalgia.
(Joyce)


“Mas eu me mordo de ciúmes” essa sim é minha música.
Não posso admitir, não devo falar, mas eu morro de ciúmes de você. Não posso tuitar, muito menos lhe falar, mas é verdade.
Não sou o tipo de garota que tem ciúme de tudo e de todos. Mas quando me apego o suficiente pra alguém significar muito pra mim, resulta nisso, ciúmes.
Ciúmes... vivem atrapalhando a minha vida. Porque é realmente perceptível. Como esconder algo tão claro?
Meu Deus, e o apego?! Queria pra mim o desapego. Desapegar de tudo e de todos seria uma boa pra mim. Desapego é como livrar pássaros aprisionados em gaiolas. Mas apego... o apego a sorrisos, abraços, jeitos, manias... eu mesmo me deixo aprisionar a partir disso.
E suas músicas favoritas... Já sei de cor. Outro apego, outros ciúmes. Ninguém pode roubá-las pra si. São suas favoritas e minhas lembranças.
Como um assunto leva a outro... ciúme, apego, desapego, música, você. As pessoas devem se perguntar: “E ela não cansa de viver falando de uma pessoa só”, de viver pensando em uma pessoa só, de viver estragando músicas por uma pessoa só, de viver sonhando, tropeçando, passando mal por uma pessoa só?!
Eu queria que cansasse, que viesse a fadiga. Que fosse como... Correr. Cansou, parou. Mesmo sem chegar lá, na linha de chegada. Queria que a fadiga fosse maior que o “gostar”, pra não dizer “amar”. Mas ainda assim, corro. Tropeço, escuto gritos me dizendo “você não vai conseguir” e mesmo assim surge uma força de vontade maior que tudo, não sei da onde. Só surge.
Mas caso a linha de chegada esteja ainda muito longe e se no fim não houver nenhum prêmio, é capaz de eu desistir, abandonar a corrida por você, abandonar o barco, a bicicleta, as músicas, seus jeitos e manias. E deixar o cansaço dominar.
Porque simplesmente não vale correr pra lugar algum.

(Por Joyce, feito há vários meses atrás)

É isso. A gente sempre escreve para alguém, como falamos para alguém. Porque, como não faz sentido falar sozinho ou para a parede, não faz sentido escrever apenas para preencher linhas vazias.
Eu não sei o que eu escreveria neste exato momento se não fosse pra você. Se não houvesse palavras, mesmo que tortas, sem jeito, simples, estranhas... desse meu jeito sabe, que tenta fazer o melhor, mas cai sempre na mesmice.
Mas eu tento. Tento escrever coisas bonitas... sim, pra você. Porque vidas podem ter sido destruídas por essa falta de se comunicar, da necessidade antiga de escrever. De redigir.
Ah, se não que sentido faz? Não precisa me ler, não precisa nem saber que essas palavras aqui existem. Mas por favor, dê sentido a essas frases, orações, períodos. Porque aqui você é o sujeito.
Estou parecendo ridícula, quase o objeto disso tudo. Objeto direto. Sem preposição, sem impedimentos, que se doa por inteiro mas que acaba perto do ponto final, tudo o que eu menos quero nessa vida.
Como se escrever para alguém fosse fácil, mas a gente escreve... Porque não há cartas sem remetente, não há livros que são feitos destinados a prateleiras. 
Não é fácil, porque não sabemos o que os olhos querem ler, mal identificamos o que eles transmitem muitas vezes.
Mas por favor, amor. Se isso não for do seu agrado, deixe guardado. Não leia.
Mas veja, querido, foi escrito pra você, contendo o pouco de mim.

(Joyce)