Porque muro não substitui ponte
Depois daquela noite, em que colocamos “os pingos nos is”,
que eu fui para um lado e você para o outro, ambos melancólicos. Foi como uma
promessa que fiz a mim mesma não querer mais ninguém, não me entregar a ninguém,
fechar meu coração de vez e jogar a chave fora. Já que, pobre coração: cansado de toda
vez se abrir, pra alguém ir lá e quebrar a maçaneta.
Mas não é fácil você querer seguir sozinha sem se tornar um
pouco mais fria, endurecida, e até desacreditada. O frio a qual me refiro é
mais intenso dentro de mim do que lá fora. Aquele frio com direito a neve e
ventania.
Às vezes, a gente dá de cara no muro. Em um muro alto e
quebra a cara! Bem que já ouvi falar: “construa pontes ao invés de muros”...
Por poucas vezes como hoje, me senti
distante, isolada, sozinha. Parecia que eu era de outro mundo.
Por fim, acabei acreditando nessa história de ponte... E
pensando bem, eu já “construí” tantas pontes e elas quebraram, que o jeito foi
partir para o muro. Mas não dá certo. Porque muro, não substitui ponte. Como
amores não substituem amizades e amizades não substituem amores. Como os pais
da gente não podem nunca serem substituídos. Como jamais, ninguém vai
substituir ninguém.
O pior disso tudo, é que nessa de “ninguém substituir
ninguém”, uns vêm, outros vão. E o espaço dos que vão embora, fica vazio, sem
ter como preencher. Por outro lado, cada um que veio, e foi também, deixou um
pouco de si, seja um pouco de coisa boa ou ruim.
Resolvi
não jogar fora a chave do meu coração. E voltar a construir pontes. Mesmo assim, vazio me incomoda. E enquanto “uns vêm, outros
vão”, fica tanta nostalgia.
(Joyce)
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